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Golpe do Falso Gerente: Como Funciona, Como Evitar e o Que Fazer se a Empresa Foi Vítima

Entenda como funciona o golpe do falso gerente contra empresas, como identificar os sinais, como se proteger e o que fazer para tentar reaver o prejuízo.

5 min de leituraAtualizado em 14 de agosto de 2026Parte 1 de 5
Em resumo

No golpe do falso gerente, o criminoso liga ou manda mensagem se passando pelo gerente do banco e usa dados reais da empresa — nome do gerente, agência, últimos dígitos da conta — para parecer legítimo. Com um pretexto urgente (movimentação suspeita, bloqueio iminente), induz a vítima a transferir valores ou instalar um aplicativo que dá acesso à conta. A contramedida imediata é encerrar o contato e ligar para o canal oficial. Se a empresa foi vítima, agir nas primeiras horas e avaliar a responsabilidade do banco é decisivo.

O telefone toca e, do outro lado, alguém que sabe o nome do seu gerente, o número da sua agência e os últimos dígitos da sua conta avisa: há uma movimentação suspeita e é preciso agir agora. Tudo soa verdadeiro — e é justamente essa a arma do golpe. O golpe do falso gerente tem crescido e mirado especialmente empresas e clientes de maior renda, porque combina dados reais com uma pressão que “desliga” o senso crítico da vítima.

Neste artigo, explicamos como o golpe é aplicado, quais sinais denunciam a fraude, como proteger a empresa e o que fazer — inclusive juridicamente — se o prejuízo já aconteceu.

Como o golpe do falso gerente é aplicado

O criminoso se apresenta como gerente ou funcionário do banco, por telefone ou aplicativo de mensagem. O diferencial em relação a golpes genéricos é o uso de informações verdadeiras: nome completo do responsável, dados da agência, histórico de transações e até o nome do gerente real da conta. Essas informações, que deveriam ser sigilosas, dão ao contato uma aparência de total legitimidade.

A partir daí, entra a engenharia social. O falso gerente informa uma suposta movimentação suspeita, uma tentativa de fraude ou a necessidade imediata de bloquear a conta — sempre com urgência. Sob orientação do "funcionário", a vítima é induzida a agir para "proteger" o dinheiro: fazer uma transferência para uma "conta segura", confirmar códigos recebidos por SMS, informar senhas ou instalar um aplicativo de "segurança" (que, na verdade, dá acesso remoto ao dispositivo). Concluída a manobra, os criminosos agem rápido: transferências via Pix, contratação de empréstimos, pagamento de boletos de valor expressivo e uso do limite.

Sinais de alerta

Alguns indícios denunciam o golpe, mesmo quando o contato parece verdadeiro:

Como proteger a empresa

O que fazer se a empresa foi vítima

As primeiras horas definem as chances de recuperação:

  1. Comunique o banco imediatamente pelos canais oficiais e registre o protocolo.
  2. Acione o MED (Mecanismo Especial de Devolução) se houve Pix — ele permite o bloqueio do valor na conta do golpista.
  3. Troque senhas e revogue acessos e dispositivos autorizados.
  4. Registre boletim de ocorrência — é prova essencial.
  5. Preserve tudo: registro da ligação, mensagens, comprovantes, extratos e protocolos.

O passo a passo detalhado está no artigo Fui vítima de um golpe bancário: como tentar reaver o prejuízo.

Quando o banco pode ser responsabilizado

Este é o ponto que a maioria das vítimas desconhece. Os tribunais têm reafirmado que a segurança das operações bancárias é dever da instituição, e a Súmula 479 do STJ prevê a responsabilidade objetiva dos bancos por fraudes praticadas no âmbito das operações bancárias. Chama especial atenção o fato de que os golpistas frequentemente usam dados internos que só o banco deveria ter — o que pode indicar falha de segurança da própria instituição. Além disso, transferências vultosas e movimentações fora do padrão da empresa deveriam acionar mecanismos de bloqueio; a ausência dessas medidas pode caracterizar defeito na prestação do serviço. A responsabilização não é automática e depende da análise do caso, mas é um caminho real.

Perguntas frequentes

Como o golpista sabe o nome do meu gerente e os dados da minha conta?

Essas informações podem vir de vazamentos de dados, engenharia social ou fontes internas. O uso de dados que deveriam ser sigilosos é justamente o que torna o golpe convincente — e o que pode indicar uma falha de segurança do banco.

O banco pode me ligar pedindo para transferir dinheiro para uma conta segura?

Não. Bancos não pedem transferências para "contas seguras", senhas, códigos de SMS ou instalação de aplicativos por telefone. Qualquer pedido assim é sinal de golpe.

Instalei um aplicativo a pedido do falso gerente. O que faço?

Desconecte o dispositivo da internet, comunique o banco imediatamente, troque as senhas de outro aparelho e registre boletim de ocorrência. O aplicativo provavelmente concede acesso remoto e deve ser removido.

O banco precisa devolver o valor?

Depende da análise do caso. A Súmula 479 do STJ ampara a responsabilização quando há falha de segurança — como o uso de dados internos ou a ausência de bloqueio de movimentações atípicas.

Aviso importante

Este conteúdo é informativo e não constitui parecer jurídico. Cada caso deve ser analisado individualmente por um advogado.

Maline Cristine Immig Konrad
Sobre a autora

Maline Cristine Immig Konrad

OAB/RS 77.932 · Sócia-fundadora da Vargas e Konrad

Advogada formada pela Universidade Feevale, é sócia-fundadora da Vargas e Konrad e atua na defesa de empresas em Direito Bancário e Direito do Trabalho. Pós-graduada em Direito Ambiental pela UNISINOS, presidiu a Comissão de Direito de Meio Ambiente da OAB — Subseção de Novo Hamburgo/RS.

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Série · Fraudes bancárias contra empresas
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